Hoje já é comum encontrarmos pessoas endividadas ou mesmo superendividadas em nossa sociedade. Vivemos, literalmente, na sociedade do consumo. E porquê? Ora, porque simplesmente queremos! Queremos além do básico para sobreviver como alimentação, vestuário, saúde – queremos mais e sempre mais! Parece redundante, mas realmente queremos ter acesso ao que meu amigo, meu chefe, meu vizinho, meus parentes têm! Culturalmente, este fato retrata e apresenta correlação com questões de pertencimento dos indivíduos. Aquela velha história do que o Ter é mais importante que o Ser.
Poderíamos aqui apresentar várias razões psicológicas que levam ao consumo desmedido, mas não é esse o intuito. O objetivo é demonstrar, de certa forma, que o mercado está repleto de meios para atrair o consumidor. Muitas lojas de departamento atualmente já não são só lojas, ou seja, viraram também financeiras! O crédito facilitado tem aumentado drasticamente os índices de endividamento no país. A publicidade também é um fator determinante nessa trajetória, pois muitas vezes seduzem com técnicas específicas cada tipo de consumidor, mormente aqueles caracterizados em vulnerabilidade social como idosos, crianças e pessoas de baixa renda.
Ademais, foi realizado um levantamento pela Serasa Experian no qual demonstra que 24,5% da população brasileira estava endividada no primeiro semestre de 2014, equivalendo a 35 milhões de pessoas. É um número bastante expressivo, tendo em vista que esses consumidores, muitas vezes, acabam perdendo a própria dignidade. Já não vivem, sobrevivem!
E qual seria a solução para diminuirmos tais índices? Para os endividados resta buscar um respaldo jurídico por meio de projetos como o do superendividamento, presente em nosso Estado, Juizados Especiais entre outros. Já quanto ao acesso demasiado ao crédito e à publicidade, acreditamos ser necessário políticas públicas limitando tal uso, bem como campanhas informativas e esclarecedoras dos benefícios e prejuízos da contratação de tais produtos e serviços. É premente tal elucidação, evitando a partir daí uma sociedade com sérias consequências econômicas e sociais. Assim, antes de comprar pense: – eu preciso, eu posso, tem que ser agora? E, voilà!
Publicado na Revista Estilo Zona Sul, 21ª Ed. Ano 05. Dezembro de 2014. Porto Alegre, RS. Brasil.

