Consumo Político

Consumo, político?

O ato de consumir é considerado como uma das ações mais relevantes na criação de sentidos na vida de um indivíduo, porque há reconhecimento e pertencimento a partir daquilo que se consome.  O consumo de uma forma geral pode afetar a autoestima, inclusive sentimentos de inferioridade e também de superioridade, isto é, o consumo atribui valor, e este valor está ligado com a satisfação de um desejo. Logo, é possível compreender que diversas atividades sociais são vistas como um tipo de consumo, pois os indivíduos também se mostram em função daquilo que consomem politicamente. Uma posição política determina a inclusão ou não em um determinado grupo.

A expressão, consumo político, com certeza é bem abrangente, mas o viés que vamos tratar está relacionado com a maneira e o interesse de participação na vida pública por meio de escolhas praticadas no momento das compras. O que engloba diversos fatores de forma coletiva, especialmente questões ambientais, sociais, bem como atos diários de consumo, incluindo os direitos dos consumidores. É cada vez mais frequente encontrarmos em movimentos sociais, com a utilização das ferramentas de mídias digitais para ‘pregar’, que as escolhas de consumo cotidiano devem estar embasadas mormente em posições éticas, em particular, devendo ser consciente e sustentável. Caracterizando assim, um consumo político, um consumo crítico, relacionado diretamente com a cidadania.

Por outro lado, acabam ocorrendo certas dificuldades, pois bandeiras políticas são levantadas em contraponto com escolhas individuais de estilos de vida, tendo em vista estas opções apresentar conexão com a prevenção de riscos ambientais e sociais no mercado de consumo. O intuito desse novo paradigma, é transformar de forma ampla a sociedade, buscando mudanças de como comprar e consumir, ou seja, intrinsicamente demonstra o nosso desejo de proteção ao bem comum, realizando uma ação cidadã.

A cidadania está em crise na transmissão de seus valores. A ideia de engajamento gratuito e benevolência não se coaduna com o domínio do mercado – o consumo. Entretanto, o consumidor tem a liberdade, tem nas mãos o poder de escolha, sendo essencial uma conscientização de suas próprias convicções pessoais e sociais, identificando mitos da sociedade, e, principalmente reconhecendo diferentes estilos de vida, buscando uma identidade social digna, mas também com uma preocupação moral coletiva. Acreditando que a ética, ainda, está entre nós!

Publicado na Revista Estilo Zona Sul, 26ª Ed. Ano 06. Junho de 2016. Porto Alegre, RS. Brasil.

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