É evidente que ultimamente questionamos cada vez mais a dimensão ética em nossa sociedade. O vazio ético passou a ser o sentimento de ordem. Mas falar de ética é complexo, pois envolve questões individuais e valores sociais únicos. Segundo Aristóteles o centro da ética é a justiça, e esta, representa uma virtude.
Ademais, a ética tem relação direta com a responsabilidade, no qual devemos responder e justificar nossos próprios atos. Quando pensamos em consumo ultrapassamos de certa forma alguns valores, mormente em nossa sociedade pós-moderna, no qual consumimos abundantemente status e moda, ou seja, o consumo é considerado amoral.
E porque amoral? Importante frisar que estamos falando do consumo além das necessidades básicas do Homem. Desta forma, o consumo material é amoral? Qual o equilíbrio desse consumo em relação com a ética? Fica claro que tais questionamentos vão além do “dever ser”. O intuito aqui é pensar, entrando especialmente no campo social, bem como no psicológico. Assim, saberia responder se você é ético para si, apenas? Ou a ética envolve muito mais que valores e princípios individuais?
Contudo, sabemos que a compra de um bem material e de tecnologia avançada estará brevemente ultrapassado. Mas mesmo assim adquirimos tal produto, e, na maioria das vezes o custo é alto. Diante disso, você adquiriu o produto por si só ou adquiriu o sentimento de pertencimento que tal objeto proporciona no seu meio social? Logo, o consumo possibilita uma construção identitária social, mas que acaba se deparando com a moral do mercado capitalista, em detrimento da fragilidade da ética.
Em verdade, consumimos o que consideramos o ideal. Portanto, consumo e ética andam juntos? Talvez, sim. Talvez não. A resposta está intrínseca ao seu próprio conceito de ética vinculada à moral. A porta foi aberta. São relações sociais justas?
Publicado na Revista Estilo Zona Sul, 23ª Ed. Ano 05. Junho de 2015. Porto Alegre, RS. Brasil.

