Resolvi iniciar o artigo com umas das frases mais conhecidas do famoso livro do escritor, ilustrador e piloto francês Antoine de Saint Exupéry, o clássico da literatura universal, O Pequeno Príncipe: “O essencial é invisível aos olhos”. Ao ler, podemos nos deparar com tantas e possíveis relações e significados, pois o seu interior nos faz transcender um novo olhar. O olhar que desperta a consciência humana, o olhar repleto de sensações e sentidos que desvela o consumo, nosso principal objeto.
Diante disso, você já pensou qual a real necessidade humana no que concerne ao consumo? Você se sente escravo dele? Já conseguiu perceber o que é necessário, essencial e supérfluo na sua vida diária? Saberia usar a sua identidade racional e dizer, ainda, qual seria o padrão e o ideal de consumo em nossa alta modernidade?
Questões, estas, que acabam parecendo banais, mas na verdade, apresentam uma complexidade singular, devendo ser pensadas de acordo com as transformações sociais que são nos apresentadas cotidianamente. A transformação de um modo de vida deve ser constante, pois conforme uma pessoa se transforma, especialmente naquilo no qual ocorre a transformação, a mudança perfaz, intrinsecamente, o próprio ser. Absorvendo significados de forma transparente e imprevisível a quaisquer tipos de idealizações.
Neste sentido, podemos dizer que a história do livro mencionado, pode ser vista como um símbolo, e que pode transformar a vida das pessoas. Abre possibilidades de experiências diversas, mormente o de vivenciar o tempo, ou seja, o desejo de sentir o que se reveste de intensidade, e não apenas de quantidade. Buscando meramente a essência e fugindo do que é efêmero. Esse tempo é certamente invisível aos olhos, no qual não há regras.
Assim, é preciso saber apreciar, olhar além do que está apenas diante do nosso espelho. Dar novos significados. Em verdade, precisamos descobrir quem somos e o que de fato nos falta. Além do mais, com a percepção e naturalidade do que é saber existir, o pequeno príncipe complementa “só se vê bem com o coração”. Voilà!
Publicado na Revista Estilo Zona Sul, 27ª Ed. Ano 06. Setembro de 2016. Porto Alegre, RS. Brasil.

