Amor virou consumo

E o amor, virou consumo…

Já pensaram o amor, os relacionamentos do ponto de vista de uma mercadoria, ou como um objeto de consumo? Pois é, pode ser estranho em um primeiro momento, mas é o que está ocorrendo em nossa sociedade, mesmo que nosso âmago não aceite tais realidades. É nítido de como as relações humanas já não são mais as mesmas tendo em vista as facilidades da atual modernidade. A relação foi flexibilizada de uma tal forma que os níveis de insegurança entre as pessoas só aumentam.

O individualismo pondera nas relações (vamos deixar claro, em todo tipo de relação)! Como isso é difícil, o mundo moderno deveria ser tão mais completo, temos a informação em nossas mãos e não conseguimos aproveitá-la da melhor forma. O que nos supre hoje em dia é o virtual, criamos fantasias em nossas mentes inimagináveis só para nos sentirmos mais completos, (claro que temporariamente). Hoje as relações são em rede e podemos ter várias ao mesmo tempo e não manter nenhuma. Ou seja, o que começou, também já terminou! E num segundo está tudo resolvido, é só trocar ou devolver! Da mesma forma que trocamos produtos com tecnologias mais novas. O ‘pagamento’ é sempre à vista, não há parcelas com um prazo duradouro. As relações têm se apresentado tão frágeis, tão suscetíveis de outras tantas possibilidades, não nos sentimos mais seguros, não temos mais um porto para ancorar.

O sentido real da palavra amor foi descaracterizado e não conseguimos tempo para conhecer e admirar o outro. Não conseguimos ser nós mesmos, naturalmente nós, pois diariamente vamos “jogando”, criando seres não reais para de alguma forma conquistar algo e não alguém. Contudo, o que ocorre é um medo interno único e intransponível no qual nos impossibilita agir. Assim, fingimos, e só precisávamos ser reais! Falamos, reclamamos, mas deixamos de fazer. Queremos amigos, queremos um amor, queremos felicidade instantânea, apenas queremos!

E, é a partir daí que a sociedade vai acabar criando (já está) uma nova ética dos relacionamentos. Se perde respeito, se perde confiança. Em verdade, quem perde somos apenas nós!

Baseado na obra Amor Líquido, do sociólogo polaco Zygmunt Bauman.

Publicado na Revista Estilo Zona Sul, 20ª Ed. Ano 05. Setembro de 2014. Porto Alegre, RS. Brasil.

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