O título “Viralizou” chamou a sua atenção? É bem provável que sim, pois assuntos relacionados a rede mundial acabam automaticamente confirmando o interesse acerca do tema. A partir daí você já pensou o que representa o ciberespaço? É um espaço de comunicação e comercialização? E quais são as implicações culturais da cibercultura?
Diante disso, é necessário entender qual o significado de cibercultura. Segundo, Pierre Lévy, um dos grandes estudiosos da mídia cibernética, indica que o vocábulo especifica “o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”, isto é, um novo meio de expressão criado a partir dos avanços tecnológicos, especialmente, com a chegada da internet que nos trouxe essa universalização, tendo em vista estarmos cada vez mais imersos nas novas relações de comunicação e produção de conhecimento.
A cibercultura agrega e constrói laços sociais, pois há interesses em comum na medida que existe o compartilhamento do saber. Há informação. E há sem dúvida, práticas de consumo, nosso principal objeto. As redes sociais oportunizaram perfis e páginas personalizadas, demostrando um processo de subjetivação e consumo. Há compartilhamento de interesses e preferências, bem como a circulação de bens baseados principalmente em gostos e estilos de vida. Além do mais, há sempre aquela “loja” que fica aberta o tempo todo e te oferecendo muitas oportunidades.
No entanto, a rede apresenta conflitos de diversas ordens que se manifestam em diferentes setores da sociedade, principalmente o mercadológico e o midiático, com efeitos e resultados muitas vezes de cunho psicológico, bem como a segurança jurídica no comércio eletrônico é fundamental. E não é raro o ciberespaço causar em determinadas pessoas a dependência da tecnologia, pois estas passam muitas vezes um grande período do dia conectados, e quando não estão on line acabam surgindo reações como taquicardia, suor, tremedeira entre outros, tendo em vista, estarmos vivendo atualmente numa sociedade confessional, ou seja, uma sociedade que já não separa o público e o privado.
E com certeza o avanço da cibercultura é um fenômeno cultural, que está em constante processo de construção, produzindo informação e conhecimento. Envolve muito mais que apenas trocas, permitindo socializar em tempo real e em caráter global, devido à popularização das redes de relacionamento. Resta apenas não nos tornarmos mercadorias e nem reféns do ciberespaço, devendo prevalecer e ‘viralizar’ as relações humanas reais.
Publicado na Revista Estilo Zona Sul, 24ª Ed. Ano 05. Dezembro de 2015. Porto Alegre, RS. Brasil.

